O crime social e ambiental da usinas de Belo Monte
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ESSE TEXTO DA MIRIAM LEITÃO E FIQUE TÃO PUTO QUANTO EU!!!!Esse texto
de autoria de Miriam Leitão eu destino àqueles que não estão nem ai pra
porra nenhuma mas com certeza seus filhos e netos pagarão a conta.
"Quem se interpôs entre a presidente Dilma e a sua vontade férrea de
fazer a hidrelétrica de Belo Monte perdeu o cargo ou ficou falando
sozinho. Para que saísse a licença ambiental, foram despachadas ordens
diretas do Palácio do Planalto. Ponderações dos técnicos foram
ignoradas. O Ibama foi atropelado. Relatórios de especialistas do
próprio governo foram deixados de lado.
O debate em torno da hidroelétrica mais controversa do país foi
silenciado porque o governo não quis ouvir ninguém. No dia do leilão,
ouvi especialistas em várias áreas. Havia um rio de dúvidas, como
escrevi. O governo não quis que houvesse um consórcio só e fez outro,
às pressas, empurrando estatais e fundos de pensão com algumas
empreiteiras para formar um outro grupo, e foi esse que venceu. Foi
tudo tão improvisado que a empreiteira Queiroz Galvão, que estava no
consórcio, saiu dele logo após vencer. Era a primeira vez que se ouvia
que uma empreiteira saía do consórcio que acabava de vencer.
Havia estatais nos dois consórcios que disputaram o leilão, realizado
apesar de todas as dúvidas e questionamentos a seis meses das eleições.
O governo garantia que a obra ficaria em R$ 19 bilhões. Escrevi neste
espaço que o preço final seria no mínimo R$ 30 bilhões, porque esse era
o número que as empreiteiras admitiam que de fato custaria. Hoje, o
consórcio empreendedor argumenta que foram alguns imprevistos e a
inflação que elevaram o custo. Não é verdade, todos eles sabiam que a
obra ficaria nesse preço, e isso eu ouvi de mais de uma empresa
envolvida no projeto.
No começo de 2010, foi um atropelo só. Técnicos do Ibama disseram que
não tinham condições de avaliar a viabilidade ambiental. Uma reunião na
Casa Civil no dia 7 de janeiro determinou que fosse dada a licença.
Três diretores se demitiram. Os técnicos continuaram afirmando que não
tinham condições de dar o documento. Mesmo assim, ele foi concedido no
dia primeiro de fevereiro. Publiquei aqui essa troca de mensagens.
O Ministério Público fez várias perguntas ao BNDES em março de 2010, e
ele respondeu que desconhecia detalhes do projeto. Era o grande
financiador de uma obra que seria licitada em pouco mais de três meses e
mesmo assim admitia desconhecimento.
Tudo foi ignorado: documentos de cientistas fazendo os mais variados
alertas de que os riscos não estavam dimensionados, de que o regime
hídrico mudaria durante a vida útil da usina, de que não fora possível
avaliar o volume de sedimentos do rio, nem o impacto do canal de 100
quilômetros que seria construído, ou os avisos de que não se avaliara
devidamente os riscos para os indígenas.
A obra foi feita da forma mais autoritária que já se viu na
democracia. Aliás, nem a ditadura quis enfrentar esses riscos, e a obra
projetada foi adiada. Havia dúvidas razoáveis sobre a vantagem de
fazer uma hidrelétrica deste tamanho em um rio cuja vazão oscila muito.
É falsa a informação tão insistentemente propagada de que ela é uma
hidrelétrica de 11 mil megawatts. Na verdade, ela produzirá, em média, 4
mil megawatts, exatamente por essa oscilação. Os técnicos suspeitam
que haverá meses em que ela não vai conseguir gerar muito mais que mil
megawatts.
A obra tinha muitas objeções técnicas de várias áreas, mas, além
disso, tinha-se o temor de que ela fosse encarecendo ao longo do
processo. Foi exatamente isso que aconteceu. Mesmo quem era favorável
ao projeto reclamava da maneira atropelada com que foram estabelecidos
os parâmetros, dadas as licenças, montada a engenharia financeira. Por
fim, ainda foi feita uma licitação em que, diante do temor de haver
apenas um consórcio, o governo fabricou outro.
Hoje, tudo isso é matéria vencida, o projeto está sendo construído, já
custa muito mais do que o governo disse que custaria, houve conflitos
entre índios, foram desrespeitadas condicionantes, e a obra está
atrasada.
De qualquer maneira, é bom lembrar que os que não foram ouvidos
estavam certos, principalmente quando circula a informação de que os
principais dirigentes da Camargo Corrêa admitiram que pagaram R$ 100
milhões ao PT e ao PMDB pela hidrelétrica de Belo Monte. Era só o que
faltava, mas que sempre se temeu que houvesse."